Assistentes sociais da Santa Casa promovem encontro entre pai e filhas que não se viam há 40 anos

Um encontro aguardado por quatro décadas emocionou todas as equipes do Hospital

No dia 12 de setembro deste ano, deu entrada na Santa Casa de Ubatuba o senhor Pedro Augusto Candido, de 69 anos, mas que não portava nenhum documento que garantisse sua identificação. Diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva crônica e insuficiência cardíaca, o paciente precisou ser internado para um tratamento mais adequado.

Sem a documentação necessária, o Serviço Social do Hospital foi chamado para tentar localizar algum registro de identificação do paciente, que apenas informou ser natural de Natal, no Rio Grande do Norte. Após pesquisas na rede de saúde municipal e de vários contatos telefônicos com cartórios, prefeitura, diretoria de ensino e Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de Natal, a assistente social da Santa Casa e sua auxiliar administrativa obtiveram sucesso em localizar uma irmã do senhor Pedro, a qual informou que o paciente era dado como desaparecido pela família há muitos anos. Após alguns dias de espera pela documentação, uma Certidão de Nascimento emitida pelo cartório de Natal, eis que surge outra emocionante notícia: a descoberta de duas filhas de Pedro que procuravam pelo pai há quase quatro décadas.

Assim que souberam do paradeiro de Pedro, as filhas Ana Cristyan, de 42 anos, e Luciana Santana, de 39 anos, ambas moradoras de São Paulo, fizeram questão de vir ao encontro do pai em Ubatuba, que estava acamado, mas prestes a receber alta hospitalar, depois de quase um mês de internação.

O primeiro encontro das filhas com o pai foi emocionante e regado de descobertas. De acordo com a filha mais velha, os parentes sempre lhes contaram histórias desencontradas sobre o sumiço de Pedro, mas o fato é que ele, após uma briga familiar, saiu para trabalhar e nunca mais voltou para a casa em São Paulo, deixando para trás uma filha com poucos dias de vida.

Segundo Ana, foram anos tentando encontrar alguma pista do paradeiro de Pedro, mas sem sucesso. Recentemente, localizou uma prima em Natal, que também buscava notícias em sites de buscas de pessoas desaparecidas. “Eu nunca desisti de encontrar o meu pai. Sempre procurei por ele e sabia que um dia eu o encontraria e esse dia chegou. Eu já liguei em rádios, paguei um detetive para tentar localizá-lo, mas me disseram que ele já poderia ter até falecido. Não perdi a esperança nunca”, disse a filha que é moradora da cidade de Mauá.

Ainda sem conseguir falar direito, Pedro se mostrou um pouco confuso com a presença das filhas, mas em poucas horas era possível perceber um brilho a mais em seu olhar. Mesmo com os braços ainda fracos, fez questão de permanecer por um longo período segurando as mãos das filhas e acariciando os seus rostos. Foram muitas perguntas e descobertas, entre elas a existência de cinco netos com idades entre 8 e 25 anos.

A emoção falou mais alto e contagiou a todos dentro do Hospital. Até mesmo a filha Luciana, que se mostrava mais ressentida pelo abandono com apenas poucos dias de vida. “Eu tinha o desejo de encontrá-lo, mas nunca fiquei procurando igual a minha irmã, pois tinha medo do que poderia encontrar. Deixei para Deus cuidar e hoje estamos aqui”, contou Luciana.

História em Ubatuba

De acordo com Pedro, ele chegou a Ubatuba há muitos anos para trabalhar na cidade e por aqui foi ficando desde então. Entre um trabalho e outro, Pedro se tornou amigo de Wanderley de Oliveira, de 52 anos, o qual considera como um filho.

Wanderley nos relatou que Pedro sempre foi trabalhador, mas abusava de bebidas alcoólicas. Certo dia, há cinco anos, passou muito mal e precisou ser carregado para o hospital, onde pediu ajuda para abandonar o vício. Foi Wanderley que localizou uma clínica de reabilitação e internou Pedro para um tratamento mais profundo. Depois disso, ofereceu-lhe emprego em sua tapeçaria e disponibilizou um quarto para que Pedro pudesse morar.

“Estou contente que ele tenha encontrado a família dele. Nos últimos anos eu fiz minha obrigação de cuidar dele, que muito me ajudou também. O Pedro conhece muita gente e sempre foi muito querido por todos, pois tem um bom coração”, comentou Wanderley, lembrando que o amigo é conhecido por muitos pelo apelido de “Fofão”, pois quando bebia o rosto ficava inchado, parecido com o personagem de programas infantis.

De volta para casa

Depois de 31 dias internado na Santa Casa de Ubatuba, Pedro recebeu alta no último dia 13 de outubro, onde foi convidado para ir morar com a filha Ana na cidade de Mauá. A Santa Casa, novamente com a ajuda do Serviço Social, conseguiu uma ambulância para transportar Pedro até o seu novo lar. “Foi muito difícil encontrá-lo e agora não vamos mais nos separar. Vou cuidar dele até o fim”, prometeu Ana.

Santa Casa

Muito mais do que salvar vidas, a Santa Casa de Ubatuba também se preocupa com a situação social dos pacientes, fazendo, entre outras coisas, encaminhamentos para serviços da rede pública de saúde, tentando localizar documentação e resolver diferentes situações que podem comprometer o bem-estar físico, psíquico e social dos pacientes, a fim de devolver a dignidade da pessoa humana.

“Encontrar a família do Pedro foi a confirmação de que estou na profissão certa. A sensação é que eu não posso mudar o mundo, mas posso fazer a minha parte. Neste caso acredito que o setor de Assistência Social da Santa Casa ousou e fez a diferença na vida dessa família. É uma felicidade muito grande ter contribuído para realizar o sonho das filhas dele e, com certeza, essa será uma boa história para contar sempre”, descreveu Maria da Conceição, auxiliar administrativa do setor de Serviço Social.

Para Magali Cristina, assistente social do Hospital, o caso de Pedro é mais um sucesso entre as muitas situações atendidas pelo setor. “O Serviço Social da Santa Casa preza por se fazer presente nesses acontecimentos e outros tantos que já aconteceram na sua história. São famílias que se reencontram, pessoas que são encaminhadas/transferidas, se curam e nos agradecem, e diversas pessoas que por vezes são acolhidas tanto na tristeza, quanto na alegria. É uma grande satisfação estar presente nesses momentos inesquecíveis”, finalizou Magali.



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